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O lote destinado a esta residência paulistana é pleno de dificuldades e sugestões. Ao contrário de tantas outras situações de largueza encontradas em condomínios periurbanos, aqui a exigüidade e a singularidade do terreno são fonte inspiradora de critérios simbólicos e funcionais: a vizinhança construída, tangível e ruidosa, o horizonte indefinidamente urbano; não há frente nem fundos, apenas lados irregulares e o formato em cotovelo aberto, comunicando ruas perpendiculares em desnível suave, espécie de passagem quebrada, de prega. Qualquer intervenção que aí se quiser interpor de modo a restabelecer continuidade e fluidez deverá necessariamente esgueirar-se, contorcer-se, ricochetear. E é o que justamente se verifica. A longa divisa lateral externa, relativamente à angulação, é transformada em tapume que neutraliza as interferências aleatórias dos lotes contíguos. O muro azul com 6,20 m de altura define cenograficamente uma primeira continuidade, unificando os ambientes pela onipresença de sua referência visual e pela reflexão azulada da luz do sol que penetra através dos recuos regulamentares.(...) O essencial do programa está equacionado num bloco linear onde os ambientes íntimos se sobrepõem às dependências destinadas às refeições e serviços. Desenvolvendo-se entre os recuos laterais ajardinados do tramo principal do lote, esse volume ajusta-se à presença da rótula constituída pelo jardim interno através do encurvamento contínuo e suave de sua fachada principal, que se projeta em direção à outra frente do terreno, aí definindo o ambiente de estar principal em pé-direito duplo.
CALDEIRA, Vasco – Casa do Muro Azul.
In: CALDEIRA, Vasco; FANUCCI, Francisco; FERRAZ, Marcelo; SANTOS, Cecilia Rodrigues dos – Francisco Fanucci, Marcelo Ferraz: Brasil Arquitetura. São Paulo: Cosac Naify, 2005.
Casa do Muro Azul
Equipe:
Francisco Fanucci, Marcelo Ferraz e Marcelo Suzuki.
Data de início do projeto:
1994
Data conclusao da obra:
1994-1996
Programa:
residência unifamiliar
Área:
400m²
Local:
São Paulo, SP
Publicaçoes:
“A casa não tem vista, mas o muro deixa tudo azul” Arquitetura e Construção,São Paulo, 1996, n.º 11, pág.56/65 “Residência Kapaz” Arquitetura e Urbanismo, São Paulo, 1997, n.º 69, pág. 54/55. “Casa del muro azul” Arquine, México,1998, n.º 03, pág. 32/33 “A vida é azul” Reformar e Construir, São Paulo, 2000, nº 30, pág. 58/63
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