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Para a cidade, o edifício apresenta-se como uma caixa ortogonal revestida nas duas faces principais por painéis contínuos de lâminas de madeira. Para controlar a luminosidade e o sol, as fachadas devem ser recobertas por essa cortina composta de painéis em módulos de duas dimensões justapostos, ambos compostos de lâminas de pinus tratado, fixadas com parafusos em uma estrutura metálica. Este enorme “painel-brise soleil” remete ao mesmo tempo à tradição das treliças coloniais, à sua retomada pela arquitetura moderna - especialmente nos trabalhos de Lucio Costa - como também às persianas internas que invadiram as janelas e divisórias de escritórios. Apenas, desta vez, elas se tornaram partido de projeto, e foram para as fachadas.

A idéia central do edifício é a integração dos espaços entre si e com a cidade. O átrio de entrada, com pé direito que atravessa os cinco andares, apresenta-se como continuidade da rua, abrigando lojas em meio a um jardim. Nos quatro pavimentos destinados a escritórios, o acesso aos conjuntos se dá a partir de corredores - terraços sinuosos, abertos, todos eles debruçados sobre o átrio para criar aberturas visuais e surpresas, fazendo da circulação um elemento de projeto e de vida para o edifício. Ao debruçar nestes terraços é impossível não lembrar do Pavilhão da Bienal no Ibirapuera, feliz citação que se integra harmoniosamente ao edifício e à cidade de Brasília.

A aposta deste projeto está na verdade estrutural e formal e na generosidade dos espaços compartilhados, uma homenagem à idéia fundadora de Brasília e seus autores.

SANTOS, Cecilia Rodrigues dos – Edifício Comercial.

In: CALDEIRA, Vasco; FANUCCI, Francisco; FERRAZ, Marcelo; SANTOS, Cecilia Rodrigues dos – Francisco Fanucci, Marcelo Ferraz: Brasil Arquitetura. São Paulo: Cosac Naify, 2005.


 
     
 
 
 
 
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