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A escola do Jardim Santo André foi construída num conjunto habitacional recém implantado na franja sudeste da cidade de Santo André. Como toda a imensa periferia da megalópole paulista, é lugar de carência de conforto, de segurança, de oportunidades, de serviços públicos; é lugar com condições precárias para se viver dignamente.

Em primeiro lugar, a escola se ocupa em prover educação com qualidade e de forma abrangente a 1000 crianças de 4 a 10 anos de idade. Além disso, seus espaços e seus equipamentos são disponibilizados ao uso da comunidade no período noturno e nos fins de semana, com um programa de cursos de alfabetização para adultos, de computação, grupos de música, teatro, poesia, leitura, reuniões, etc. É um espaço democrático, de caráter público, aberto ao debate, à formação e desenvolvimento da cidadania na população local.
O terreno que lhe foi destinado é de difícil ocupação, excessivamente inclinado ao longo da ladeira curva que o circunda. Seu único trecho plano é área “non aedificandi” , faixa de proteção de um córrego canalizado.
 
O edifício acompanha o desnível do terreno, com acessos diretos ao exterior em seus três pisos. No pavimento térreo se localiza o pátio coberto, a cozinha e o refeitório, que se estende para um piso externo. Pelo térreo se acessa também o auditório multiuso com 250 lugares e os vestiários que atendem à quadra poliesportiva localizada na faixa plana do terreno. O primeiro pavimento é destinado inteiramente a abrigar 16 salas de aula. No segundo pavimento estão localizados a administração, a biblioteca e uma sala de computadores, além de mais 4 salas de aula. A cobertura do segundo pavimento e sua parte descoberta são lajes-jardim, facilmente acessíveis. Ali as crianças cuidam de hortaliças, frutas e flores, como parte de seu processo educativo.
 
A estrutura é rigorosamente modulada e econômica, formada por uma malha com vãos longitudinais de 6 m e transversais de 7 m (vãos laterais) e 5 m (vão central), fechados por lajes invertidas de concreto aparente. Esta modulação rígida, no entanto, não determina nenhuma rigidez espacial. As paredes internas se desenvolvem de maneira independente da malha estrutural, livres do velho esquema corredor-portas, impessoal e frio, como nos hospitais ou nas prisões. As salas de aula têm formatos diferentes e as circulações criam “lugares”, identidades espaciais, ao invés de corredores. Aberturas zenitais voltadas para o norte capturam e trazem para dentro a luz do sol, refletida em paredes coloridas, que funcionam como canais comunicantes entre os pavimentos.
 
A acessibilidade é garantida a todos os ambientes, através de um elevador e de escadas e rampas de baixa inclinação. As salas de aula têm grandes caixilhos que proporcionam iluminação e ventilação naturais abundantes. Um plano de combogó (elementos vazados) de cerâmica protege as grandes janelas do sol na face norte e do vandalismo na face sul, próxima à calçada.
A união da educação de crianças e adultos com a convivência organizada da comunidade em seus espaços é a pequena contribuição que se espera desta escola para a conquista da auto estima  e da consciência, essenciais para o exercício da cidadania desta imensa população de baixa renda das periferias de nossas cidades.
 
 
     
 
   
 
 
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