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A nova sinagoga da CIP de Curitiba deverá ser implantada no miolo da quadra formada pelas ruas Coronel Agostinho Macedo e Nilo Peçanha.  A conformação irregular do espaço vazio resultante - cercado pelo clube, pelas quadras esportivas, pelos muros da vizinhança e com topografia irregular - apresenta uma equação de difícil solução: como compatibilizar os fluxos dos freqüentadores do clube, das crianças e pais nos horários de chegada e saída da escola, daqueles que se dirigem à sinagoga, todos utilizando um mesmo acesso?

As construções da escola e do clube foram concebidas em separado, e seu acesso por uma entrada comum se deu posteriormente. A implantação da sinagoga, do salão de festas e do novo estacionamento procura ordenar o conjunto, do ponto de vista volumétrico, do compartilhamento do uso da portaria, e dos deslocamentos dos diversos usuários em seu espaço interno.

As lajes jardim e a adoção do concreto aparente pigmentado em sutis variações cromáticas nas novas construções contribuem para reforçar a identidade de cada volume.

Um eixo imaginário ao longo da rampa de acesso se prolonga pelo interior da quadra através de uma marquise em dois níveis, que oferece um passeio coberto e ventilado conectando os diversos edifícios.

A distribuição do estacionamento escalonado no terreno ao lado da rampa de acesso otimiza a utilização das lajes por prescindir de rampas internas de distribuição em seus diversos pavimentos e resolve a circulação de veículos nesta faixa do terreno, liberando as demais áreas para os pedestres. O acesso de todos os usuários se dá por um conjunto de elevadores e de escada até a marquise.

No nível inferior a marquise leva - por entrada independente - ao Memorial do Holocausto, espaço dedicado à reflexão sobre a história do povo judeu, aberto ao jardim externo. A chegada à sinagoga, assim como ao clube e à escola,  se dá no nível superior, através da marquise que penetra dois grandes volumes, o da sinagoga e o do salão de festas.

O salão de festas é um amplo espaço que, por um lado, pode se integrar inteiramente à marquise e à sinagoga através da abertura de painéis acústicos corrediços e, por outro, pode se abrir à varanda voltada para a área das piscinas do clube. Seu uso pode se dar também de maneira totalmente independente da sinagoga ou do clube.

Solta das construções, a marquise deixa duas frestas cobertas com vidro que permitem a entrada de faixas de luz zenital, que lhe conferem leveza e afirmam a independência no uso destes dois espaços, ao mesmo tempo que os une, possibilitando sua integração.

A luz zenital é também o elemento que reforça a dimensão vertical do espaço. Um vazio junto a um grande muro de pedra banhado pela luz que entra por uma abertura na cobertura revela a existência de um pavimento abaixo e outro acima. Duas escadas paralelas ao muro nos conduzem para o mezanino da sinagoga ou para o pavimento inferior, onde se encontram a pequena sinagoga, a sala do rabino, depósitos, uma pequena cozinha e um espaço para convivência, além do acesso interno ao Memorial do Holocausto. A pequena sinagoga é um espaço envidraçado, voltado para um jardim de pedras sob o volume superior, da sinagoga principal, que avança em balanço no vazio.

Por detrás do grande muro se abre o espaço central da sinagoga, de pé direito duplo e envolvido pelo mezanino. Suas paredes longitudinais são portantes e funcionam como vigas que permitem o balanço de seu corpo principal.

A face leste, voltada para o nascente - e para Jerusalém - se destaca levemente do volume, deixando novamente a luz entrar pela fresta resultante, clareando a parede que recebe o armário das Torot e o espaço da Bimá e da Menorá. Sua cobertura é uma laje de concreto curva que, ao se aproximar das laterais, sobe acima da face superior das vigas transversais, abrindo vazios no topo das paredes-viga longitudinais ao longo de todo o espaço. Estes vazios receberão os belíssimos vitrais da antiga sinagoga, de autoria artista paranaense Poty.

A marquise nos conduz ainda a um outro volume que abriga os sanitários, a administração e no seu pavimento mais alto a Mikvá, com uma abertura voltada para o céu, de modo a captar a água das chuvas e a luz do sol para o seu interior.

A construção deste novo conjunto, como elemento ordenador em meio às construções já existentes, reforçará na Comunidade Israelita do Paraná, o ideal de convivência. Diferentes atividades e diferentes faixas etárias em um mesmo espaço comum, todos juntos.

E no coração do conjunto pulsará o espaço interior da sinagoga, penetrado aqui e ali pela luz do dia através de frestas, vãos e afastamentos, nos conduzindo a uma rica experiência de percepções, surpresas e descobertas.

 
     
 
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