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Nosso projeto, ora em execução, visa em primeiro lugar a remoção de famílias que vivem em péssimas condições de moradia e salubridade, com alto grau de risco de vida em caso de desmoronamentos e inundações do córrego existente e conseqüentes doenças contagiosas. Em segundo lugar, visa também a recuperação de uma importante área de proteção de manancial com a retirada de todas as habitações precárias (100%) das encostas e do fundo do vale, devolvendo esta área à população removida e reassentada em edifícios verticais na forma de parque público para recreação, lazer e convivência da comunidade. Pela proximidade imediata com o antigo aterro sanitário da municipalidade, esta área corre risco de contaminação pelo solo. Mas, como conseqüência positiva dessa vizinhança, a obra será custeada pela venda dos créditos de carbono advindos da exploração do gás produzido industrialmente no aterro sanitário. Esta é a primeira experiência do uso desses créditos com estes objetivos.

Com a desocupação total do terreno (todas as famílias foram removidas em razão do alto risco) a primeira medida adotada foi a recondução do rio ao seu trajeto natural, estabilização das encostas e drenagem do terreno nas áreas de contribuição de águas.

Com essas medidas propusemos em seguida a criação de uma grande área livre em todo o terreno. Uma área de recreação como um pequeno parque com gramados, árvores, ruas e pavimentos para pedestres, uma alameda central que leva a uma praça com 4000 m2, margeando o córrego Bamburral (antes canal de esgoto a céu aberto, agora um riacho de águas limpas para recreação).

Acima do chão, tocando levemente o solo sobre pilotis, implantamos os 5 blocos habitacionais para abrigar as famílias da própria comunidade. A verticalização nos permitiu liberar ao máximo o terreno para uso público coletivo. Em nossa implantação procuramos desencontrar os 5 blocos de modo a não criar  áreas confinadas ou bloqueadas por sombreamento. Procuramos manter sempre a vista desimpedida para todas as habitações. Optamos pela estrutura convencional de concreto armado e alvenaria estrutural como sistema construtivo principal.

As unidades habitacionais que compoem cada um dos blocos habitacionais possuem 50m² cada. Elas possuem dois quartos, uma sala conjugada com a cozinha, um banheiro e uma área de serviço. Duas faces opostas da unidade possuem aberturas para o exterior, o que garante ótimas condições de ventilação e iluminação natural. Parte das unidades localizadas no nível de entrada dos blocos é adaptada para portadores de deficiência motora, tendo todos os aposentos do apartamento acessíveis a cadeirantes.

Cada bloco habitacional possui uma área comum coberta em que será instalada uma sala de estudos totalmente equipada para a utilização de seus moradores e na área sob os pilotis serão implantados equipamentos de recreação e lazer.

A “Casa da Conversa”, que já foi construída, funciona como um plantão social “in loco” para atender a população durante o período de obras. Acompanhando e até fiscalizando as obras, a população se apropria do projeto e se prepara para gerir e conservar as melhorias implantadas. 

 

 

 
     
 
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